Mostrar mensagens com a etiqueta Jesus - Uma Abordagem Histórica. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Jesus - Uma Abordagem Histórica. Mostrar todas as mensagens

sábado, 10 de janeiro de 2009

[2] Jesus - Uma Abordagem Histórica

1.2 O grande e sinistro Herodes

Roma tinha o hábito de não ocupar os territórios subjugados, recorrendo para isso à coroação de reis, normalmente naturais daquelas terras, que exerciam a sua autoridade em obediência ao imperador.

O mais cruel e brutal de todos os reis foi certamente Herodes - o Grande. Jesus não teve tempo de o conhecer pois nasceu apenas dois anos antes da sua morte.
Herodes vivia constantemente assombrado pelo medo de uma conspiração por parte daqueles que lhe eram próximos. Este medo conjugado com a sua crueldade fez com que, um a um, fosse matando alguns dos seus familiares, começando pelo cunhado, esposa, sogra,... Já perto do fim da sua vida, louco pelo medo, Herodes matou ainda três dos seus filhos, morrendo pouco depois com cerca de setenta anos.

(Este louco modo de agir de Herodes contra quem pudesse pôr em causa o seu lugar no trono, aparece como pano de fundo à narrativa lendária da "matança dos inocentes" - "Tendo Jesus nascido em Belém da Judeia, no tempo do rei Herodes, chegaram a Jerusalém uns magos vindos do Oriente.(...) Ao ouvir tal notícia, o rei Herodes perturbou-se e toda a Jerusalém com ele.(...) Então Herodes mandou chamar secretamente os magos e pediu-lhes informações exactas.(...) Ao ver a estrela, os magos sentiram imensa alegria; e, entrando na casa, viram o menino com Maria, sua mãe. Prostrando-se, adoraram-no; e, abrindo os cofres, ofereceram-lhe presentes: ouro, incenso e mirra. Avisados em sonhos para não voltarem junto de Herodes, regressaram ao seu país por outro caminho.(...) O anjo do Senhor apareceu em sonhos a José e disse-lhe: «Levanta-te, toma o menino e sua mãe, foge para o Egipto e fica lá até que eu te avise, pois Herodes procurará o menino para o matar.»(...) Herodes, ao ver que tinha sido enganado pelos magos, ficou muito irado e mandou matar todos os meninos de Belém e de todo o seu território, da idade de dois anos para baixo." Mt 2,1-18 )

Desta forma não será difícil imaginar as crueldades de que era capaz Herodes para com o povo. Aquando da sua morte, rebentou a raiva contida durante muitos anos e houve agitações em diversos locais da Palestina.
Roma respondeu prontamente enviando mais de vinte mil soldados para repor a ordem. Estes fizeram milhares de mortos e incendiaram algumas aldeias.

Uma dessas aldeias totalmente devastada pelos romanos foi Séforis, que fica somente a cinco quilómetros da aldeia de Nazaré.
É assim muito provável que Jesus tenha ouvido falar, desde criança, deste povo de coração oprimido. Por tudo isto, ele sabia muito bem de que falava quando mais tarde dizia: "Sabeis como aqueles que são considerados governantes das nações fazem sentir a sua autoridade sobre elas, e como os grandes exercem o seu poder. Não deve ser assim entre vós. Quem quiser ser grande entre vós, faça-se vosso servo e quem quiser ser o primeiro entre vós, faça-se o servo de todos." (Mc 10,42-44)


Após a morte de Herodes, o imperador Augusto repartiu a Palestina pelos 5 filhos de Herodes, não tendo sido nenhum, no entanto, proclamado rei. Antipas foi o que ficou como governador da Galileia, tendo governado por trinta anos (Jesus viveu sempre seu súbdito), e era possível ver nele alguns traços do pai: não duvidou em eliminar as criticas que, desde o deserto, lhe fazia um profeta chamado João Baptista, ordenando sem piedade a sua execução.

É assim óbvio que Jesus nunca se sentiu muito seguro nos seus domínios.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

[1] Jesus - Uma Abordagem Histórica

Olá Amigos!

Para os resistentes que, apesar de eu não postar nada há séculos, continuam a passar por aqui, vou começar a partilhar alguns tópicos e ideias de um livro que estou agora a começar a ler.
O livro chama-se "Jesus - Uma Abordagem Histórica" e é de José Antonio Pagola (mais informações aqui) e deixou-me "preso" desde as primeiras páginas.
Esta é uma forma de me ajudar a interiorizar o conteúdo do livro e ao mesmo tempo de partilhar com vocês o que vou aprendendo e vivenciando com a sua leitura...
Espero que gostem tanto como eu ;)



Capítulo 1 - Jesus da Galileia

Chamava-se Yeshúa que significa "Javé Salva".
Mas não era o único daquele tempo com aquele nome. Por isso precisava de melhor se identificar.
Os da sua terra chamavam-lhe
Yeshúa bar Yosef que quer dizer "Jesus filho de José", outros chamavam-lhe Yeshúa ha-notsrí que quer dizer Jesus de Nazaré.
Na galileia daquele tempo o mais importante a saber de uma pessoa era "de onde vem" e "a que família pertence"...


1.1 Sob o Império de Roma

«Durante mais de sessenta anos, ninguém foi capaz de se opor ao império de Roma. Octávio e Tibério dominaram a cena política sem grande sobressaltos. Umas três dezenas de legiões, com cinco mil homens cada uma, bem como outra tropa auxiliar, asseguravam o controlo absoluto de um território imenso que se estendia desde Espanha e as Gálias até à Mesopotâmia; desde as fronteiras do Reno, do Danúbio e do mar Morto até ao Egipto e norte de África. Sem conhecimentos geográficos,sem acesso a mapa algum e quase sem notícias daquilo daquilo que acontecia fora da Galileia, desde Nazaré, Jesus não podia fazer a mínima ideia do poder daquele Império em que estava inserido o seu pequeno país.»

Jesus não passava de um insignificante galileu, sem cidadania romana, membro de um povo submetido.

Neste grande império, as calçadas romanas, tinham uma importante função na facilitação das deslocações e comunicações. No entanto, em Nazaré, Jesus viveu praticamente longe das grandes rotas.

«Jesus nunca se aventurou pelas rotas do Império. Os seus pés pisaram só as veredas da Galileia e os caminhos que conduziam à cidade santa de Jerusalém.»

Os povos subjugados não deviam esquecer nunca que estavam sob o domínio de Roma, por isso, a melhor forma de os manter submetidos era o uso do castigo e do terror. À mínima agitação as legiões podiam demorar mais ou menos tempo, mas chegavam sempre.
A prática de crucifixão, as degolações maciças, a captura de escravos, os incêndios nas aldeias e os massacres nas cidades eram a maneira mais eficaz de manter a lealdade dos povos.